Artigos

Aqui iremos acrescentar algumas referência bibliográficas, com uma breve descrição do seu conteúdo, e links para vídeos que consideramos úteis para quem se interesse pela metodologia de aprendizagem baseada na discussão entre pares.

Estudos acerca do método "Peer Instructions"

Crouch & Mazur 2001, Peer Instructions: Ten years of experience and results, American Journal of Physics 69, 970

Fagem, Crouch, & Mazur 2002, Peer Instructions: Results from a range of classrooms, Phys. Teach. 40, 206–209

Lasry, Mazur, & Watkins 2008 , Peer Instructions: From Harvard to the two-year college, American Journal of Physics 76, 1066

Entrevista com Eric Mazur

Mais estudos sobre a eficácia dos métodos baseados na discussão

Hake 1998, Interactive-engagement versus traditional methods: A six-thousand-student survey of mechanics test data for introductory physics courses, American Journal of Physics 66, 64

Deslauriers, Shelew & Wieman 2011, Improved Learning in a Large-Enrollment Physics Class, Science 332 , 862

Ambos os estudos acima utilizaram amostras muito numerosas: 6542 estudantes no primeiro, 850 no segundo. O tamanho das amostras e a clareza dos resultados exclui a possibilidade de enviesamentos estatísticos e outros fenómenos espúrios. Em ambos os estudos, os grupos que utilizaram a discussão como ferramenta pedagógica obtiveram resultados melhores do que o grupo de controlo, com margens de diferença flagrantemente amplas, legitimamente interpretáveis como provas esmagadoras da eficácia da discussão entre pares.

O trabalho de Deslauriers et al., para além do prestígio da revista em que foi publicado, destaca-se por uma caraterística peculiar: é o resultado duma aposta entre um professor de renome, cujo grande talento como orador é bem reconhecido, convicto da eficácia do método expositivo tradicional, e um pós-doutorando com pouca experiência de ensino, a defender a discussão como ferramenta de aprendizagem. Os dois ensinaram de acordo com as suas convicções respetivamente ao grupo de controlo e ao grupo em condições experimentais.

Desconhecemos estudos a comprovar a maior eficácia do método tradicional em relação à discussão entre pares. Se houver, por favor partilhem connosco esta informação.

Mais artigos interessantes

Epistemological Beliefs in Introductory Physics
Autor: David Hammer
Fonte: Cognition and Instruction, Vol. 12, No. 2 (1994), pp. 151-183

O nosso resumo: Este artigo é um estudo minucioso  dum número limitado de estudantes com diferentes abordagens ao ensino da física. As convicções na base destas diferentes abordagens são chamadas convicções epistemológicas. Hammer designa para estas três dimensões. Uma abordagem construtiva face a aprendizagem da física carateriza-se pelas seguintes convicções epistemológicas:
► a física é um sistema orgânico de conhecimentos, não é um conjunto de elementos (fórmulas, leis, valores) sem relação um com o outro;
► a reflexão e o raciocínio autónomos são imprescindíveis no estudo da física, decorar noções que se aceitam por autoridade não é suficiente;
► os conceitos têm um significado profundo, não são meros símbolos para manusear de acordo com procedimentos padrão.

Hammer chega à conclusão de que as convicções mais redutoras não são devidas à falta de inteligência, conhecimento, motivação ou determinação. Uma indicação disto vem dum dos estudantes analisados que tem este tipo de convicções, Roger. Roger tem um bom desempenho em Matemática, está motivado a ter um igualmente bom desempenho em Física e possui os conhecimentos necessários para conseguir este objetivo. O único problema do Roger, segundo Hammer, é a sua convicção contraproducente de que não tem tempo para tentar compreender.
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Dialogic Argumentation as a Vehicle for Developing Young Adolescents' Thinking
Autores: Deanna Kuhn & Amanda Crowell
Fonte: Psychological Science 22(4) 545­–552  - Ano 2011

O nosso resumo: Kuhn defende neste artigo que as capacidades argumentativas podem ser desenvolvidas através da prática em indivíduos de 11 a 13 anos de idade, e dá sugestões para implementar ditas práticas.
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Arguing to Learn in Science: The Role of Collaborative, Critical Discourse
Autor: Jonathan Osborne
Fonte: Science 328 , 463 - Ano 2010

O nosso resumo: Artigo de crítica que enfatiza a importância da argumentação na aprendizagem da Ciência. Argumentar é crucial à aprendizagem porque é a base do processo científico, que é presentemente confundido com acumulação de verdades reveladas. Argumentar dá, ainda, aos estudantes a oportunidade de compreender a diferença entre evidência, hipótese, alegação, dados e raciocínio. É ainda sugerido que discutir explicitamente como raciocinamos, tem efeitos benéficos. Dão-se referências para reforçar esta conclusão.
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Making Sense of Argumentation and Explanation
Autores: Leema Kuhn Berland & Brian Reiser.
Fonte: 93(1), 26-55 - Ano 2009

O nosso resumo: Fazer sentido, articular e persuadir são três aspectos distintos, entrelaçados e estimulando-se entre si, que surgem quando os alunos discutem.
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Cognitive  processes in comprehension of science texts: The role of co-activation in confronting misconceptions
Autores: Paul Van Den Broek & Panayiota Kendeou
Fonte:Appl. Cognit. Psychol. 22: 335–351 - Ano 2008

O nosso resumo: Quando novo conhecimento é adquirido este é interpretado através duma rede de conceitos, automática ou deliberadamente ativada, que inclui conhecimento prévio e partes de textos previamente lidos. Para que uma errada conceptualização seja revista não é suficiente explicar a sua correta contrapartida, porque o aluno poderia não aperceber-se da contradição entre as duas. É necessário que a versão errada faça parte da rede de conceitos que se ativa para interpretar a nova explicação. Desta forma a contradição entre as duas versões será manifesta e poderá ser resolvida positivamente.
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Contribution of Meta‐strategic Knowledge to Scientific Inquiry Learning
Autores: Anat Zohar & Adi Ben David
Fonte: International Journal of Science Education, Volume 31, Número 12 - Ano 2009

O nosso resumo: É o último duma série de trabalhos desenvolvidos com o fim de verificar a eficácia do ensino explícito de estratégias metacongitivas como ferramenta pedagógica. As estratégias meta-cognitivas são as regras e as assunções que estão na base da investigação científica. Elas determinam, por exemplo a forma como se conduz uma experiência para verificar uma determinada hipótese. A conclusão deste artigo é que praticar explicitamente as capacidades meta-cognitivas é benéfico especialmente para os alunos com um desempenho abaixo da média.
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A Longitudinal Study of Engineering Student Performance and Retention. III. Gender Differences in Student Performance and Attitudes.
Autores: Richard M. Felder, Gary N. Felder, Meredith Mauney, Charles E. Hmarin Jr., & E. Jacqueline Dietz.
Fonte: Journal of Engineering Education, 84(2), 151-163 - Ano 1995

O nosso resumo: As estudantes de engenharia têm inicialmente desempenhos melhores do que os seus colegas de sexo masculino, devido a um efeito de seleção: estão a contrariar um estereótipo de género, são portanto provavelmente mais motivadas do que o estudante médio. Esta vantagem inicial vai sumindo ao longo dos anos, provavelmente por causa do ambiente competitivo típico das faculdades de Engenharia penalizar as jovens mais do que os jovens. Introduzir a prática da discussão entre estudantes como método de estudo, pode prevenir a perda de motivação das estudantes de engenharia.
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